Gaeco amplia Operação Gutenberg e coloca seis prefeituras de MS na mira após identificar novos repasses de R$ 2,1 milhões
Investigação aponta que organização criminosa continuou firmando contratos com municípios mesmo durante as apurações; grupo é acusado de desviar R$ 27,4 milhões da saúde e da educação
Após apresentar à Justiça denúncia contra uma organização criminosa acusada de desviar R$ 27,4 milhões em recursos públicos destinados às áreas da saúde e da educação de prefeituras de Mato Grosso do Sul, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ampliou o alcance da Operação Gutenberg e passou a investigar mais seis municípios do Estado.
De acordo com um novo relatório elaborado pelos investigadores, diligências realizadas após os primeiros pedidos de prisão preventiva — cumpridos em 7 de julho — identificaram novos contratos e repasses financeiros que somam R$ 2.160.218,00 destinados à Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46). Segundo o Ministério Público, a empresa seria controlada pelo chamado “clã Jafar” e utilizada como peça central no esquema de desvio de recursos públicos.
O documento encaminhado pelo Gaeco revela que, mesmo após o avanço das investigações e o pedido de prisão dos principais investigados, a suposta organização criminosa continuou celebrando contratos com administrações municipais.
No relatório, os investigadores afirmam:
“Além disso, após ter sido feito pelo GAECO o pedido de decretação da prisão preventiva da requerente [Rossana Jafar] e demais integrantes da organização criminosa, foram empreendidas novas diligências com o objetivo de verificar eventuais contratos firmados pela organização criminosa em datas mais recentes, as quais restaram positivas.”
As novas descobertas reforçam a suspeita de que o esquema permaneceu em funcionamento até poucos dias antes da deflagração da Operação Gutenberg. A ofensiva resultou na prisão de 16 investigados, enquanto um empresário apontado como integrante do grupo segue foragido.
Outro trecho do Relatório de Informações nº 036/SOI/GAECO/MPMS/2026 destaca que a organização manteve atuação ativa ao longo de 2025 e também em 2026, firmando novos contratos com o poder público, o que, segundo os investigadores, demonstra a continuidade das atividades ilícitas.
“O grupo criminoso, no ano de 2025 e agora em 2026, realizou novas contratações com o Poder Público, demonstrando que o esquema criminoso permanece em plena atividade”, registra o relatório.
Com os novos elementos, o Gaeco busca identificar a participação das seis prefeituras citadas nas contratações recentes, além de apurar a eventual responsabilidade de agentes públicos e particulares envolvidos na celebração dos contratos investigados. A expectativa é de que novas fases da Operação Gutenberg sejam desencadeadas à medida que as investigações avancem.